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Produtos naturais ganham mercado e substituem fertilizantes e agrotóxicos

.. segunda-feira, 2 de abril de 2012

Embrapa vai lançar orgânicos e espera ganhar 20% do mercado. Outra tecnologia nacional troca agrotóxicos por vespas e conquista produtor.


Em abril, Embrapa vai lançar dois fertilizantes orgânicos produzidos a partir de resíduos poluentes. (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)Em abril, a Embrapa vai lançar dois fertilizantes
orgânicos produzidos a partir de poluentes
Quarto maior consumidor de fertilizantes e um dos líderes mundiais no uso de agrotóxicos, o Brasil começa a expandir duas novas tecnologias naturais para aumentar a fertilidade dos solos e combater pragas. Resultado de pesquisas nacionais, os fertilizantes orgânicos da Embrapa e o controle de pragas com uso de vespas e ácaros, da empresa brasileira BUG, são opções sustentáveis que garantem a produtividade e saúde da lavoura.
A primeira novidade será lançada pela Embrapa no início de abril e deve estar disponível no mercado em breve. A partir de resíduos agroindustriais poluentes, como fezes de porco, a empresa desenvolveu dois tipos de fertilizantes orgânicos, tão eficientes quanto os tradicionais segundo a Embrapa. Por reaproveitar os resíduos, a tecnologia é considerada um tipo de reciclagem.
Um dos fertilizantes já tem nome. É o “agroporco”. O outro, ainda sem nome oficial, é produzido a partir de um resíduo da produção de frango de corte, chamado cama de aviário. A eles são misturados minerais, que ajudam na penetração dos nutrientes no solo.
Mercado
A nova tecnologia pode transformar o mercado brasileiro de fertilizantes. A expectativa é que em 20 anos ela abasteça até 20% da necessidade nacional e diminua a dependência internacional - hoje, 75% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, segundo a Embrapa Solos.
Além disso, esta pode ser uma importante tecnologia para tratar os resíduos agroindustriais, que podem contaminar o meio ambiente e são produzidos em alta quantidade no Brasil - que possui um dos maiores rebanhos mundiais e é um grande criador de frango de corte.
“Importamos muito fertilizante e temos muito resíduo animal no Brasil, que é um passivo ambiental. A tecnologia resolve os dois problemas. Estamos falando de [abastecer] 20% da demanda nacional de fertilizante. É algo fantástico”, afirma José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos.
Segundo Polidoro, os fertilizantes organominerais podem ser mais eficientes que os tradicionais e são mais adequados à região tropical, já que liberam mais rapidamente os nutrientes. Além disso, eles têm “menor potencial de provocar problemas ambientais”, ou seja, de contaminar águas e solos.
Os fertilizantes orgânicos foram testados centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em no Rio Verde (GO). (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)Os fertilizantes orgânicos foram testados no centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em Rio Verde (GO
Vespas e ácaros
Outra opção natural e eficiente para a agricultura é o controle biológico de pragas, que está conquistando produtores, pequenos e grandes, e ganhando reconhecimento no mercado. O destaque nacional é a empresa BUG, sediada em Piracicaba (SP), que entrou na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo em 2012, da revista americana de empreendedorismo “Fast Company”.
Dividindo a lista com gigantes como Google, Facebook e Amazon e desbancando grandes empresas nacionais como Petrobras e Embraer, a BUG nasceu nos laboratórios de duas importantes universidades brasileiras: a Unesp e a USP. Os sócios da empresa fizeram faculdade juntos e depois voltaram a se encontrar no mestrado. Em seguida, eles desenvolveram uma forma de aplicar as pesquisas acadêmicas em larga escala.
“Na universidade, já havia sido desenvolvido um sistema de produção [de controle biológico de pragas] em pequena escala, com o qual nós também colaboramos. Nós pegamos este sistema e desenvolvemos tecnologia para aplicá-lo em massa. Hoje temos biofábricas, produzimos organismos e levamos isto para o campo”, conta Marcelo Poletti, um dos sócios da BUG.
O princípio do controle biológico aplicado é combater pragas com insetos parasitas. Na BUG, são produzidas vespas do gênero Trichogramma. Elas atacam ovos de mariposas e borboletas e combatem a lagarta, grande inimiga de importantes lavouras, como cana e soja. Além disso, a BUG produz ácaros que combatem inimigos de plantações de hortifrutis e flores.
Os inimigos naturais substituem os agrotóxicos, que podem contaminar os alimentos, o meio ambiente e a saúde de quem faz a aplicação. Além de ecológica, a alternativa chega a ser mais eficiente que os químicos, cujo uso contínuo pode fazer as pragas ficarem resistentes. “A resistência da praga ao inseticida acaba prejudicando muito a aplicação [de agrotóxico]. Já com o controle biológico isso não acontece. A praga não fica resistente ao predador, à vespinha ou ao ácaro”, explica Poletti.
Na aplicação, cartelas de ovos de vespas são colocadas na plantação. Quando elas nascem, o controle de pragas ocorre naturalmente. Os produtos são registrados no Ministério da Agricultura, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e no Ibama. Ao contrário dos agrotóxicos, as embalagens não contêm o símbolo da caveira.
Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da diretor da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada. (Foto: Divulgação / BUG)Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada (Foto: Divulgação/BUG)
Embrapa
“Vamos oferecer dois produtos específicos e tivemos que fechar uma fórmula. Mas existe uma variedade muito grande de fórmulas possíveis para fertilizantes organominerais”, conta Vinicius Benites, também pesquisador da Embrapa Solos. Por isso, existe a possibilidade de oferecer novas linhas no mercado.
A partir do lançamento oficial dos produtos, a ideia da Embrapa é estimular a criação de unidades de produção em pequena e média escala em todo o Brasil. “Nosso interesse é estimular a indústria. Aí sim, esse tipo de fertilizante poderá abastecer no futuro até 20% da demanda nacional”, explica Polidoro.
A tecnologia, desenvolvida pela Embrapa há 5 anos, foi finalizada em 2011. Mas ela só começa a ser transferida em 2012 devido ao tempo necessário para registrar patentes. “Agora a tecnologia está pronta para ser transferida. Sabemos que ela é viável e temos estimativas de custos de produção”, comenta Vinicius Benites. Uma fábrica para produzir 30 mil toneladas de fertilizante organomineral, por exemplo, teria um custo de instalação de cerca de R$ 4 milhões.
Além da produção comercial, a tecnologia pode ser usada para resolver problemas ambientais. É o caso da hidrelétrica de Itaipu, que está preocupada com a segurança da qualidade da água do reservatório devido a uma possível contaminação por resíduos da suinocultura, forte na região. Juntas, Embrapa e Itaipu estão desenhando um projeto para produzir fertilizantes organominerais e eliminar os resíduos.
 O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana. (Foto: Divulgação / BUG / Heraldo Negri)O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana
BUG
Já a aplicação do controle biológico de pragas já é uma realidade. As vespas da BUG, por exemplo, atendem mais de 500 mil hectares de plantações de cana no Brasil, principalmente em São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Os ácaros estão presentes em outros mil hectares de hortifruti.
Além da BUG, outras empresas exploram o controle biológico e planejam aumentar sua participação no lucrativo mercado de combate a pragas agrícolas. A Associação Brasileira de Controle Biológico já conta com mais de 19 empresas, que também trabalham com fungos e bactérias.
“No Brasil, o controle biológico representa apenas 1% do valor da receita obtida com a venda de agrotóxicos. O que nós estimamos, sendo muito otimistas, é que em 5 anos vamos chegar em 8%. Hoje já temos grandes multinacionais investindo no setor, o que vai ajudar a aumentar esse número”, afirma Poletti.
Uma barreira para a expansão do controle biológico é a resistência dos agricultores, que está diminuindo. “Nós apresentávamos o produto para o agricultor e ele dizia: 'eu já tenho problemas com inseto, você quer trazer mais inseto?'”, conta o sócio da BUG. “Eles achavam que as vespas e os ácaros iam causar danos à cultura. Muitas pessoas nunca imaginaram que os insetos poderiam ser usados com essa função e estão descobrindo isto agora.”
O agricultor Adalberto Granghelli, que planta tomate em Jaquariúna (SP), é um deles. “Eu comecei [a usar as vespas] meio incrédulo. Comecei fazendo testes em pequenas áreas e hoje uso em toda a plantação, substituindo algumas aplicações de agrotóxico. Meus funcionários também não acreditavam e hoje reclamam quando eu não compro os ovos”, comenta ele, satisfeito com a nova tecnologia.
O custo para o produtor é, segundo a BUG, menor que o da aplicação de agrotóxicos. “Inicialmente, quando é feita a transição do convencional para o biológico, o custo é o mesmo. Mas, quando se considera todo o ciclo da cultura há uma economia de 30 a 40%”, diz Poletti. Uma alternativa que, além de ecológica, pode ser mais eficiente e mais econômica.
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Produtos naturais ganham mercado e substituem fertilizantes e agrotóxicos

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Embrapa vai lançar orgânicos e espera ganhar 20% do mercado. Outra tecnologia nacional troca agrotóxicos por vespas e conquista produtor.


Em abril, Embrapa vai lançar dois fertilizantes orgânicos produzidos a partir de resíduos poluentes. (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)Em abril, a Embrapa vai lançar dois fertilizantes
orgânicos produzidos a partir de poluentes
Quarto maior consumidor de fertilizantes e um dos líderes mundiais no uso de agrotóxicos, o Brasil começa a expandir duas novas tecnologias naturais para aumentar a fertilidade dos solos e combater pragas. Resultado de pesquisas nacionais, os fertilizantes orgânicos da Embrapa e o controle de pragas com uso de vespas e ácaros, da empresa brasileira BUG, são opções sustentáveis que garantem a produtividade e saúde da lavoura.
A primeira novidade será lançada pela Embrapa no início de abril e deve estar disponível no mercado em breve. A partir de resíduos agroindustriais poluentes, como fezes de porco, a empresa desenvolveu dois tipos de fertilizantes orgânicos, tão eficientes quanto os tradicionais segundo a Embrapa. Por reaproveitar os resíduos, a tecnologia é considerada um tipo de reciclagem.
Um dos fertilizantes já tem nome. É o “agroporco”. O outro, ainda sem nome oficial, é produzido a partir de um resíduo da produção de frango de corte, chamado cama de aviário. A eles são misturados minerais, que ajudam na penetração dos nutrientes no solo.
Mercado
A nova tecnologia pode transformar o mercado brasileiro de fertilizantes. A expectativa é que em 20 anos ela abasteça até 20% da necessidade nacional e diminua a dependência internacional - hoje, 75% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, segundo a Embrapa Solos.
Além disso, esta pode ser uma importante tecnologia para tratar os resíduos agroindustriais, que podem contaminar o meio ambiente e são produzidos em alta quantidade no Brasil - que possui um dos maiores rebanhos mundiais e é um grande criador de frango de corte.
“Importamos muito fertilizante e temos muito resíduo animal no Brasil, que é um passivo ambiental. A tecnologia resolve os dois problemas. Estamos falando de [abastecer] 20% da demanda nacional de fertilizante. É algo fantástico”, afirma José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos.
Segundo Polidoro, os fertilizantes organominerais podem ser mais eficientes que os tradicionais e são mais adequados à região tropical, já que liberam mais rapidamente os nutrientes. Além disso, eles têm “menor potencial de provocar problemas ambientais”, ou seja, de contaminar águas e solos.
Os fertilizantes orgânicos foram testados centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em no Rio Verde (GO). (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)Os fertilizantes orgânicos foram testados no centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em Rio Verde (GO
Vespas e ácaros
Outra opção natural e eficiente para a agricultura é o controle biológico de pragas, que está conquistando produtores, pequenos e grandes, e ganhando reconhecimento no mercado. O destaque nacional é a empresa BUG, sediada em Piracicaba (SP), que entrou na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo em 2012, da revista americana de empreendedorismo “Fast Company”.
Dividindo a lista com gigantes como Google, Facebook e Amazon e desbancando grandes empresas nacionais como Petrobras e Embraer, a BUG nasceu nos laboratórios de duas importantes universidades brasileiras: a Unesp e a USP. Os sócios da empresa fizeram faculdade juntos e depois voltaram a se encontrar no mestrado. Em seguida, eles desenvolveram uma forma de aplicar as pesquisas acadêmicas em larga escala.
“Na universidade, já havia sido desenvolvido um sistema de produção [de controle biológico de pragas] em pequena escala, com o qual nós também colaboramos. Nós pegamos este sistema e desenvolvemos tecnologia para aplicá-lo em massa. Hoje temos biofábricas, produzimos organismos e levamos isto para o campo”, conta Marcelo Poletti, um dos sócios da BUG.
O princípio do controle biológico aplicado é combater pragas com insetos parasitas. Na BUG, são produzidas vespas do gênero Trichogramma. Elas atacam ovos de mariposas e borboletas e combatem a lagarta, grande inimiga de importantes lavouras, como cana e soja. Além disso, a BUG produz ácaros que combatem inimigos de plantações de hortifrutis e flores.
Os inimigos naturais substituem os agrotóxicos, que podem contaminar os alimentos, o meio ambiente e a saúde de quem faz a aplicação. Além de ecológica, a alternativa chega a ser mais eficiente que os químicos, cujo uso contínuo pode fazer as pragas ficarem resistentes. “A resistência da praga ao inseticida acaba prejudicando muito a aplicação [de agrotóxico]. Já com o controle biológico isso não acontece. A praga não fica resistente ao predador, à vespinha ou ao ácaro”, explica Poletti.
Na aplicação, cartelas de ovos de vespas são colocadas na plantação. Quando elas nascem, o controle de pragas ocorre naturalmente. Os produtos são registrados no Ministério da Agricultura, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e no Ibama. Ao contrário dos agrotóxicos, as embalagens não contêm o símbolo da caveira.
Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da diretor da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada. (Foto: Divulgação / BUG)Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada (Foto: Divulgação/BUG)
Embrapa
“Vamos oferecer dois produtos específicos e tivemos que fechar uma fórmula. Mas existe uma variedade muito grande de fórmulas possíveis para fertilizantes organominerais”, conta Vinicius Benites, também pesquisador da Embrapa Solos. Por isso, existe a possibilidade de oferecer novas linhas no mercado.
A partir do lançamento oficial dos produtos, a ideia da Embrapa é estimular a criação de unidades de produção em pequena e média escala em todo o Brasil. “Nosso interesse é estimular a indústria. Aí sim, esse tipo de fertilizante poderá abastecer no futuro até 20% da demanda nacional”, explica Polidoro.
A tecnologia, desenvolvida pela Embrapa há 5 anos, foi finalizada em 2011. Mas ela só começa a ser transferida em 2012 devido ao tempo necessário para registrar patentes. “Agora a tecnologia está pronta para ser transferida. Sabemos que ela é viável e temos estimativas de custos de produção”, comenta Vinicius Benites. Uma fábrica para produzir 30 mil toneladas de fertilizante organomineral, por exemplo, teria um custo de instalação de cerca de R$ 4 milhões.
Além da produção comercial, a tecnologia pode ser usada para resolver problemas ambientais. É o caso da hidrelétrica de Itaipu, que está preocupada com a segurança da qualidade da água do reservatório devido a uma possível contaminação por resíduos da suinocultura, forte na região. Juntas, Embrapa e Itaipu estão desenhando um projeto para produzir fertilizantes organominerais e eliminar os resíduos.
 O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana. (Foto: Divulgação / BUG / Heraldo Negri)O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana
BUG
Já a aplicação do controle biológico de pragas já é uma realidade. As vespas da BUG, por exemplo, atendem mais de 500 mil hectares de plantações de cana no Brasil, principalmente em São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Os ácaros estão presentes em outros mil hectares de hortifruti.
Além da BUG, outras empresas exploram o controle biológico e planejam aumentar sua participação no lucrativo mercado de combate a pragas agrícolas. A Associação Brasileira de Controle Biológico já conta com mais de 19 empresas, que também trabalham com fungos e bactérias.
“No Brasil, o controle biológico representa apenas 1% do valor da receita obtida com a venda de agrotóxicos. O que nós estimamos, sendo muito otimistas, é que em 5 anos vamos chegar em 8%. Hoje já temos grandes multinacionais investindo no setor, o que vai ajudar a aumentar esse número”, afirma Poletti.
Uma barreira para a expansão do controle biológico é a resistência dos agricultores, que está diminuindo. “Nós apresentávamos o produto para o agricultor e ele dizia: 'eu já tenho problemas com inseto, você quer trazer mais inseto?'”, conta o sócio da BUG. “Eles achavam que as vespas e os ácaros iam causar danos à cultura. Muitas pessoas nunca imaginaram que os insetos poderiam ser usados com essa função e estão descobrindo isto agora.”
O agricultor Adalberto Granghelli, que planta tomate em Jaquariúna (SP), é um deles. “Eu comecei [a usar as vespas] meio incrédulo. Comecei fazendo testes em pequenas áreas e hoje uso em toda a plantação, substituindo algumas aplicações de agrotóxico. Meus funcionários também não acreditavam e hoje reclamam quando eu não compro os ovos”, comenta ele, satisfeito com a nova tecnologia.
O custo para o produtor é, segundo a BUG, menor que o da aplicação de agrotóxicos. “Inicialmente, quando é feita a transição do convencional para o biológico, o custo é o mesmo. Mas, quando se considera todo o ciclo da cultura há uma economia de 30 a 40%”, diz Poletti. Uma alternativa que, além de ecológica, pode ser mais eficiente e mais econômica.
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Abelhas usam própolis para fazer automedicação

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Substância tem propriedades contra fungos e bactérias.
Descoberta pode ter aplicação na apicultura.


O própolis na natureza é esta resina amarelada que aparece na imagem (Foto: Divulgação)O própolis na natureza é esta resina amarelada
que aparece na imagem (Foto: Divulgação)
Se você toma própolis ao menor sinal de dor de garganta, saiba que está usando este produto da forma correta, do ponto de vista das abelhas. Um estudo publicado recentemente mostra que os insetos usam o própolis em uma forma de automedicação.
O própolis é uma mistura de cera com resinas de plantas, que é produzido normalmente por abelhas – selvagens ou domesticadas – e tem propriedades que protegem a colmeia de fungos e bactérias.
A pesquisa da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos EUA, publicada pela revista científica “PLoS One” mostra que a produção da substância aumenta em média 45% quando a colmeia é atingida por um tipo de fungo parasita.
Se o fungo é de um tipo que não oferece perigo às abelhas, a produção de própolis continua normal. Além disto, as larvas infectadas pelo fungo são retiradas da colmeia, mais um sinal do cuidado que as abelhas têm com a saúde da comunidade.
A automedicação, no entanto, tem seus limites. Quando alguma bactéria infecta a colmeia, o aumento na produção de própolis não é significativo – e a substância tem propriedades que ajudariam na defesa das abelhas.
A descoberta pode ser útil para os criadores de abelha. “Historicamente, os criadores norte-americanos preferem colônias com menos resina, porque ela é grudenta e dificulta o trabalho”, afirmou Michael Simone-Finstrom, autor do estudo, em material de divulgação.
“Agora sabemos que vale a pena promover esta característica, porque oferece às abelhas alguma defesa natural”, completou o pesquisador.

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PRF resgata filhote de gato selvagem em extinção em rodovia do RS

.. sexta-feira, 23 de março de 2012

Segundo a PRF, animal estava na faixa correndo risco de atropelamento. Espécime foi encaminhado ao zoológico da UCS, onde seria examinado.


Gato maracajá, recolhido pela PRF, está no zoológico da UCS (Foto: Divulgação/PRF)Gato-maracajá foi levado ao zoológico da Universidade de Caxias do Sul
Um filhote de gato-maracajá (Leopardus wiedii) foi resgatado da faixa da BR-116 na altura deNova Petrópolis, na Serra do Rio Grande do Sul, por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) por volta das 17h desta quinta-feira (22). Segundo a PRF, o animal, cuja espécie corre risco de extinção, aparentava estar assustado e corria risco de ser atropelado, mas não estava machucado.
O felino foi encaminhado ao zoológico da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Lá, será feito um exame no animal para determinar se ele será devolvido ao ambiente natural ou ficará em cativeiro. Caso não volte à mata, o gato-maracajá será levado a local a ser definido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Ainda não sabemos se é macho ou fêmea, pois chegou há muito pouco tempo e não fizemos a avaliação para maiores informações. Não deu nem tempo de examiná-lo. Vamos fazer um exame, ver se está em condições físicas e se consegue se alimentar sozinho”, disse  a bióloga Cláudia Machado, do zoológico da UCS.
Gato maracajá, recolhido pela PRF, está no zoológico da UCS (Foto: PRF/Divulgação)Felino é considerado comum na região da Serra
Cláudia estima que o animal tenha idade entre um mês e meio e dois meses. “Ele está no tamanho em que eles começam a seguir a mães quando elas se movimentam para caçar”, afirmou.
A bióloga explicou que, apesar do risco de extinção, o gato-maracajá é uma espécie comum na Serra do RS. O zoológico da UCS já tem duas fêmeas, e não poderá abrigar o exemplar encontrado pela polícia. “Não temos mais espaço físico. O recinto não comporta mais um animal”, destacou a especialista.
Segundo a UCS, o gato-maracajá é semelhante à jaguatirica, porém menor e com cauda mais longa. O animal tem hábitos solitários e facilidade em transitar por árvores. Se alimenta de roedores e aves, mas também come frutas e sementes.
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Comissão aprova PEC que tira da União autonomia sobre terra indígena

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Texto terá de passar em comissão especial da Câmara antes de ir a plenário. Aprovação gerou protesto de índios; para deputado, texto é inconstitucional.


Sob protestos de indígenas, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (21) Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira do Executivo a autonomia para demarcar terras indígenas, de quilombolas e zonas de conservação ambiental.
Após aprovação da proposta, grupo de índios tentou entrar na Câmara, mas foi barrado pelos seguranças (Foto: Felipe Néri / G1)Após aprovação da proposta, grupo de índios tentou entrar na Câmara, mas foi barrado pelos seguranças 
Pelo texto, caberá ao Congresso Nacional aprovar proposta de demarcação enviada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A PEC agora será apreciada por uma comissão especial antes de ir à votação no plenário da Casa.
Índio que acompanhou votação da proposta na CCJ da Câmara (Foto: Nathalia Passarinho / G1)Índio que acompanhou votação da proposta na
CCJ da Câmara 
Atualmente, o Ministério da Justiça edita decretos de demarcação a partir de estudos feitos pela Funai, segundo o 1º vice-presidente da CCJ, Alessandro Molon (PT-RJ). Para o deputado, a proposta aprovada na comissão é inconstitucional e viola o direito dos índios e quilombolas. "O texto viola a separação de poderes. É uma tentativa de tirar do Executivo uma atribuição que é dele. Também viola garantias e direitos fundamentais".
Além dos protestos durante a votação da proposta, um grupo de índios da região do Xingu, no Mato Grosso, tentou entrar no Congresso pela chapelaria, mas foi barrado por seguranças da Câmara. Após negociação, eles foram autorizados a entrar no Salão Verde, em frente ao plenário.
Código Florestal
Para Alessandro Molon, a aprovação da PEC demonstra a "força" da bancada ruralista no Congresso, que também pressiona pela votação do projeto que modifica o Código Florestal. "É uma demonstração de força da bancada ruralista. Depois do Código Florestal, essa é a nova fronteira dos ruralistas", afirmou.
A oposição e a bancada ruralista exigem que o governo marque uma data para a votação das novas regras ambientais na Câmara. Eles ameaçam obstruir a votação da Lei Geral da Copa caso não haja uma definição sobre o Código Florestal. O governo, por sua vez, tenta evitar que o novo Código Florestal seja votado, porque não concorda com o texto do relator da matéria, Paulo Piau (PMDB-MG).
O deputado retirou do texto aprovado pelo Senado no final de 2011 artigo que prevê os percentuais de reflorestamento a serem exigidos dos agricultores que desmatarem áreas de preservação permanente (APPs). A alteração atende demanda da bancada ruralista.
O relatório de Paulo Piau mantém a exigência aos produtores de recompor parte da área desmatada, mas deixa a cargo da União e dos Estados estabelecer os percentuais. Ele citou exigência prevista no texto do Senado para que agricultores da Amazônia reflorestem 80% da área por eles desmatada em APPs.
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Insetos podem ter personalidade, indica pesquisa com abelhas

.. domingo, 11 de março de 2012

Algumas abelhas têm desejos de viver aventuras e procuram emoção. Diferenças de comportamento se manifestariam na atividade cerebral.


Abelha é vista se aproximando de um girassol em Tancabesti, na Romênia. (Foto: Vadim Ghirda/AP)Algumas abelhas procuram novidades fora da
colmeia; elas são mais propensas a buscar novos
ninhos e percorrer maiores distâncias para procurar
alimento 
A colmeia não é formada apenas por abelhas trabalhadoras, dispostas a realizar qualquer atividade para servir à rainha e ficar perto da colmeia. Algumas delas desejam viver aventuras e procuram um pouco de emoção, de acordo com estudo publicado nesta quinta-feira (8) na revista científica "Science". Isto seria um indício de que os insetos também têm personalidade, afirma a pesquisa.
A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, que verificaram que o desejo e a disposição para realizar tarefas específicas diferem entre as abelhas. Eles se dedicaram a dois tipos de comportamento que parecem estar relacionados com a busca por novidades: a procura por novos abrigos e a realização de trajetos mais longos e mais afastados da colmeia para encontrar alimento.
Quando a colmeia cresce muito e ultrapassa seus limites, o grupo se divide e parte dele precisa buscar um novo lar. Apenas cerca de 5% das abelhas assumem esta responsabilidade e, segundo os cientistas, elas são três vezes mais propensas a se tornarem caçadoras de alimento em longas distâncias. Elas foram chamadas de escoteiras. Já outras abelhas apresentam tendência de ficar mais próximas da colmeia e a não deixar o grupo.
"Nos seres humanos, as diferenças na busca por novidades são um componente da personalidade", disse Gene Robinson, que coordenou a pesquisa, em material de divulgação.
Atividade cerebral
Estas diferenças se manifestam inclusive na atividade genética cerebral, apontam os pesquisadores. "Nós esperávamos encontrar alguma diferença, mas a magnitude foi surpreendente, já que tanto as escoteiras quanto as não escoteiras são forrageiras [ou seja, saem do ninho para buscar alimentos]".
Para testar a hipótese, os cientistas submeteram grupos de abelhas a tratamentos que aumentavam ou inibiam substâncias químicas no cérebro. O resultado foi que alguns insetos escoteiros assumiram características mais pacatas, enquanto outros que ficavam mais na colmeia começaram a buscar novidades.
"Os resultados apontam que a busca por novidade em humanos e outros vertebrados tem paralelos com os insetos", comparou Robinson. "Parece que os mesmos caminhos moleculares têm sido usados na evolução para dar origem a diferenças individuais em busca de novidades".
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Ilhas no Pacífico planejam deslocar população devido mudança climática

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Kiribati, com 113 mil pessoas, pode desaparecer com aumento do nível do mar. Presidente anunciou intenção de comprar terras em Fiji para abrigar cidadãos.


O impacto das mudanças climáticas em Kiribati, uma nação insular localizada no Oceano Pacífico, com cerca de 800 km², pode obrigar toda a população de 113 mil pessoas a migrar, segundo o jornal inglês "Daily Telegraph". Anote Tong, presidente de Kiribati, afirmou que está negociando a compra de 50 km² em Fiji para alojar os cidadãos do país.
Parte das ilhas já estão desaparecendo sob o mar e a maioria da população está aglomerada em Tarawa, centro administrativo de Kiribati. “Este é o último refúgio, não existe para onde ir depois dele”, afirmou Tong.
Kiribati pode desaparecer com aumento do nível do mar (Foto: Reprodução)Kiribati pode desaparecer com aumento do nível do mar (Foto: Reprodução)
A proposta de comprar terras em Fiji é a última tentativa desesperada de encontrar solução para o problema, segundo o Telegraph. Em 2011, Tong já teria sugerido a possibilidade de construir ilhas artificiais, como plataformas de petróleo, para abrigar a população. “Nosso povo terá que se mover conforme as marés chegarem às nossas casas e vilas”, disse.
Como parte da nova ideia, o governo de Tong lançou um programa de Educação para a Migração, que visa qualificar a população para torná-la mais atraentes como migrantes. O povo de Kiribati teme que sua cultura não sobreviva após os movimentos migratórios.
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